Há algum tempo acompanhei uma reportagem na qual especialistas comentavam que freqüentemente havia terremotos no país, mas que a maioria deles não era perceptível. Apenas com os equipamentos era possível identificá-los.
Porém, na noite do dia 22 de abril, moradores de algumas cidades de São Paulo e de outros três Estados puderam sentir os tremores do terremoto que chegou a medir 5,2 pontos na escala Richter, classificado como um abalo moderado.
No dia 2 de maio, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram os alvos de um grande desastre natural ocasionado por um ciclone com ventos de aproximadamente
Em aproximadamente duas semanas, a parte baixa do Brasil presenciou a ação da natureza através de um terremoto no Sudeste e um ciclone no Sul do país. No Brasil não há ao menos estrutura para dar assistência aos desabrigados por pancadas de chuvas que causam enchentes, quem dirá por terremotos e ciclones.
Com as mudanças climáticas do planeta ocasionadas pelo efeito estufa, não há mais estações do ano definidas e agora também não há mais distinção de países que sofrem ações da natureza.
Por isso eu começo a questionar: será que Deus é realmente brasileiro? Não sei. Mas se for, deve ser daqueles bem típicos. Talvez tenha ido viajar para o exterior, se encantou e mudou de nacionalidade. Não o julgo por isso. Está cada vez mais difícil poder bater no peito e se orgulhar de ser brasileiro.
Não é nenhuma novidade
Hoje saiu uma matéria na Folha Online que diz que a audiência dos telejornais aumentou 46% com a cobertura da morte de Isabella. Dessa informação, a única surpresa é o número. 46% é realmente um grande aumento na audiência.
O aumento no ibope dos telejornais já era de se esperar. A população acompanha o caso como há anos eu não via acontecer. Nem mesmo no último acidente aéreo houve tanta comoção como no caso de Isabella.
Um assassinato de uma menina de cinco anos que foi espancada, asfixiada e jogada pela janela do 6º andar e tem como suspeitos do crime o próprio pai e madrasta, só poderia atrair atenção da população.
No início da faculdade li um livro que se chama “Diante da dor dos outros”. Nele, a autora Susan Sontag diz que as pessoas se acostumam com as imagens. Se antes pequenas gotas de sangue eram suficientes para chocar as pessoas, agora se mostra o corpo estendido no chão nas capas dos jornais impressos e nos telejornais noturnos e as pessoas vêem essas imagens tomando café da manhã ou jantando.
Ou seja, quanto mais se explora situações constrangedoras ou pessoais, mais o público exige que seja mostrado. Caso contrário, a imagem não chama atenção.
Acredito que o modo como Isabella foi assassinada somado a falta de sensibilidade das pessoas para com a dor dos outros, mencionado por Sontag, resultam no aumento de 46% da audiência dos telejornais brasileiros.
Caso Isabella
Nessa semana o Brasil tem acompanhado as notícias sobre a morte de Isabella, a menina de cinco anos que se suspeita ter sido assassinada e arremessada do sexto andar onde morava o pai. A menina é filha do casamento anterior do pai e passava o final de semana com ele, a madrasta e outros dois irmãos do atual relacionamento.
A princípio, o motivo que levava os peritos a suspeitarem de assassinato era o de que a tela de proteção do apartamento havia sido cortada. Agora, já foram encontradas marcas no pescoço e manchas no pulmão que serão avaliadas. Dentro de 30 dias o laudo do IML revelará se a menina foi asfixiada antes de ser arremessada. Além disso, acharam manchas de sangue pelo apartamento – inclusive na tela de proteção – e escoriações pelo corpo da criança que são indícios de que a menina também foi agredida. Serão realizados testes de DNA para confirmar se o sangue é de Isabella. Mesmo com toda essa violência, os bombeiros que foram chamados para socorrer a criança alegam que a menina estava com vida quando chegaram, mas que não resistiu aos ferimentos e morreu a caminho do hospital.
A polícia procura pessoas que podem ter visto ou ouvido algo que auxiliará na investigação do caso. Em um desses depoimentos, uma vizinha informou que ouviu gritos de menina que diziam “Pára, pai. Pára, pai”. A polícia investiga se os gritos eram de Isabella. Em contrapartida, um morador do prédio diz ter presenciado o desespero do pai quando viu a criança no chão.
O delegado Calixto Calil Filho diz que ainda não foi encontrado um forte suspeito do assassinato. Estão sendo averiguados o pai, a madrasta e um pedreiro que o pai informou ser um inimigo.
Seja lá quem for o culpado, o que aconteceu com essa menina foi um absurdo. Até o momento os indícios mostram que a menina foi agredida, asfixiada e arremessada do sexto andar de um prédio.
O que leva um adulto a fazer isso com uma menina de cinco anos???
Acredito que nada justifique uma atitude dessas. Seja uma terceira pessoa que entrou no apartamento, seja o pai ou a madrasta que queria se livrar da filha de um relacionamento anterior, seja o pedreiro que era inimigo (e nem sabia) do pai de Isabella.
Não importa!
A violência já é digna de repugnância. Quando se trata desse tipo de violência para com uma criança que não tinha como se defender, não há palavras para definir o sentimento gerado.Espero que a polícia realmente encontre o verdadeiro culpado e que ele pague pelo crime que cometeu.
Pena que no Brasil não se passa mais do que 30 anos na cadeia.
O transporte que não anda
Há mais de duas semanas acompanho diariamente nos jornais as notícias sobre os records de congestionamento em São Paulo. Acho impressionante o fato de sempre aumentar a quantidade de quilômetros parados mesmo com as freqüentes reportagens sobre o assunto.
É fato que o transporte público não comporta os milhares de paulistanos e paulistas que trabalham ou estudam na capital e, por isso, a solução que se encontrou para o problema foi a utilização do automóvel. Entretanto, há tempos essa situação se inverteu e a solução se transformou no problema. Enquanto um ônibus pode transportar cerca de 37 pessoas sentadas – fora as que ficam em pé -, um carro popular, embora ocupe metade desse espaço, tem capacidade máxima de cinco pessoas. E raramente se vê um automóvel com todos os lugares ocupados.
As iniciativas que antes diminuíam o congestionamento na cidade de São Paulo, como o rodízio, agora já não são mais suficientes. Ficar apenas um dia na semana sem utilizar o carro parece absurdo. São muitos os compram mais um automóvel para suprir a carência do veículo no dia do rodízio.
A facilidade em adquirir um carro também tem contribuído para os mais de 150km diários de congestionamento. Freqüentemente se vê propagandas de concessionárias e revendedoras que parcelam o valor do automóvel em até 72 vezes. Por dia, a cidade de São Paulo chega a emplacar cerca de 700 carros.
Para amenizar a situação, o governo do estado busca algumas alternativas. Uma delas é a construção do trecho-sul do Rodoanel. A obra, iniciada em setembro de 2006, interligará Embu à Mauá e deverá ser finalizada em 2010. Através dela, espera-se aliviar o trânsito da capital paulista, desviando e distribuindo o tráfego.
Agora resta saber quem terá paciência em esperar até 2010 pela finalização de uma obra que talvez não seja mais o suficiente para atender toda a demanda de carros. Quem tiver que continue a optar pelo transporte que não anda, pois eu já penso em ir trabalhar a pé ou de bicicleta.
A infelicidade da Época
Na última edição da revista Época (nº. 511), foi publicada a reportagem “O valor da tristeza” – matéria essa que rendeu a capa da edição. Nela, os jornalistas David Cohen, Amauri Segalla, Kátia Mello e Martha Mendonça, que assinam a reportagem, abordaram inicialmente uma recente pesquisa na área psiquiátrica sobre o uso de antidepressivos em pacientes que têm depressão leve.
Entretanto, no decorrer do texto, os jornalistas acabam por fazer uma apologia à tristeza ao dizer que esse sentimento pode ser benéfico. Por se tratar de um grande veículo de comunicação, essa postura da revista Época pode prejudicar os leitores que têm depressão ou os que conhecem alguma pessoa que tenha.
A forma como a reportagem é escrita faz parecer que os jornalistas saíram da redação com a idéia fixa de que a infelicidade faz bem para as pessoas e buscaram fontes que comprovassem esse pensamento. Tal é a audácia dos repórteres que colocaram na matéria um rodapé com o título “A depressão impulsiona a criatividade”, no qual são citados nomes como Beethoven. Nietzsche, Van Gogh, Santos Dumont e até mesmo Elis Regina como gênios que produziam material de melhor qualidade quando estavam tristes.
Embora a reportagem embeleze a tristeza, vale frisar que esse sentimento pode resultar em depressão, um transtorno mental que atinge cerca de 121 milhões de pessoas no mundo. Se a psiquiatria já encontrava resistência da população em buscar ajuda médica, com a publicação de reportagens como a da Época isso se tornará ainda mais intenso.
O jornalismo sério e verdadeiro não vale apenas para matérias de política, economia, cidades ou cultura. Deve ser usado, principalmente, quando se trata da saúde. Não é recente o descaso da mídia nessa editoria. Quantas mil pessoas não podem se prejudicar com essa matéria por achar que não há problema em ser triste?
No caso da editoria de saúde, não se trata de processos contra o veículo ou jornalistas quando são publicadas matérias errôneas como essa. Trata-se da vida de muitas pessoas que acreditam fielmente naquelas informações.
Oscar movimenta bilheteria
No último domingo (24), os apaixonados pela sétima arte pararam para acompanhar a transmissão da cerimônia do Oscar.
Como os indicados são divulgados com antecedência, muitas pessoas assistem aos filmes para acompanhar as observações feitas pelos comentaristas, concordar ou discordar delas, comemorar ou se revoltar com o resultado.
Um exemplo disso foi o sucesso da comédia adolescente “Juno”. O filme, que estreou na sexta-feira (22), ficou em primeiro lugar na bilheteria brasileira durante todo o final de semana. Mais de 140 mil pessoas assistiram ao longa-metragem que viria a entregar o prêmio à escritora Diablo Cody (melhor roteiro original), na cerimônia do Oscar.
Porém, o destaque da noite – e ouso dizer que até do final de semana - foi o filme “Onde os fracos não têm vez”. O longa-metragem dos irmãos Ethan e Joel Coen levou as estatuetas de melhor filme, diretor, ator-coadjuvante e roteiro adaptado. Daniel Day Lewis (“Sangue negro”) e Marion Cotillard (“Piaf – um hino ao amor”) ganharam o prêmio de melhores atores.
Acho incrível a credibilidade que o evento conquistou ao longo de 80 anos e a capacidade que tem para reunir pessoas de diferentes partes do mundo na frente de um televisor - até mesmo as pessoas que ainda não assistiram aos filmes.
São eventos como esses que mostram que os brasileiros têm um grande interesse pela cultura, em especial pelo cinema. Só falta os governantes e empresas perceberem isso e investirem mais nos trabalhos nacionais para que em breve o Brasil seja representado no Oscar e traga a tão sonhada estatueta de ouro.
Até mais, Fidel!
Como todos provavelmente já acompanham desde a última terça-feira (19), o comandante da revolução de Cuba, Fidel Castro, renunciou ao cargo de governante do país.
Após mais de 40 anos no poder, Fidel se afastou para se recuperar de uma cirurgia de emergência no intestino e transferiu provisoriamente o cargo para seu irmão, Raúl Castro – que representou o país por um ano e sete meses.
Entretanto, o anúncio feito essa semana surpreendeu e chocou não só os cubanos, mas todos os admiradores do trabalho de Fidel e até mesmo os opositores que, acredito, não esperavam essa atitude do ditador (como costumam classificá-lo).
É certo que ao longo de tantos anos, os conterrâneos do comandante da revolução tiveram sua liberdade limitada, os salários diminuídos, enfrentaram uma grande crise econômica com a queda da URSS, etc. Mas o que não se pode negar foi o trabalho realizado pro Fidel ao longo dessas quatro décadas.
Hoje, Cuba possui uma taxa de alfabetismo de 99,8%, conta com 70.594 médicos (um para cada 160 habitantes) e tem um índice de mortalidade infantil menor até mesmo do que o do Estados Unidos (dados publicados no artigo do Frei Beto, “Não é o início do fim do socialismo” - O Estado de S.Paulo, 20/02/2008, pág. H5).
Mesmo com a indefinição momentânea de quem será o sucessor ao cargo, acredito que a política do país continuará sendo socialista. Os ideais de Fidel já estão enraizados na cultura dos cubanos e, enquanto o comandante estiver vivo, ele sempre será referência na tomada de decisões.
Por isso, me uno aos admiradores do trabalho de Fidel e deixo nesse blog minha singela homenagem ao comandante da revolução cubana que mostrou ser possível mudar a realidade de um país.
O tapa-nada
Desde o desfile da escola de samba São Clemente, no último carnaval do Rio de Janeiro, um fato ganhou grande destaque na mídia: o tapa-sexo de Viviane Castro. De acordo com o regulamento, os participantes não podem atravessar a avenida com a genitália desnuda.
Para repercutir o caso, ontem o Fantástico entrevistou a destaque da São Clemente que gerou a polêmica e o produtor e carnavalesco Kiko Alves. Segundo eles, a intenção era realmente trabalhar com a ilusão de ótica de modo a parecer que a modelo estava nua, pois representava uma índia. E conseguiram. O trabalho foi tão bem-feito que enganou até os jurados. Meio ponto foi descontado da nota da escola de samba. Com isso, a São Clemente foi rebaixada.
A dupla contesta o julgamento e diz que Viviane desfilou o percurso todo com um tapa-sexo de 3,5 cm. Na reportagem, refizeram toda a produção para mostrar que, apesar de não ser perceptível, o acessório estava lá e não caía. Até os índios entrevistados na reportagem disseram que a mulher estava nua e, mesmo na tribo, seria punida.
Mas, afinal, o que caracteriza a nudez?
Acredito que a discussão não deva ser encaminhada para o fato de o material ser visível ou não. Se ele não tivesse sido camuflado, se estivesse pintado de verde florescente, haveria essa polêmica? Será que 3,5 cm são suficientes para considerar uma pessoa vestida?
Confesso que, particularmente, nunca gostei de carnaval. E, antes mesmo do tapa-nada de Viviane Castro, já achava que cada ano que passava era sinônimo de menos roupa. Nunca vi os desfiles no Sambódromo e Sapucaí como manifestações culturais.
Além disso, acho um absurdo a quantidade de dinheiro investido para apenas uma hora de desfile, sendo que o Brasil é um país com tantas outras necessidades. Quanto a isso, o que me consolou esse ano foi assistir a uma reportagem sobre o trabalho de cooperativas no Sambódromo para reciclar os materiais.
Espero que os acontecimentos do carnaval deste ano sirvam para reflexão, que em 2009 nenhuma mulher queira superar o tamanho do acessório usado por Viviane Castro e que ações sociais - como a reciclagem - ganhem mais destaque na imprensa do que as fantasias (ou a falta delas).
Me justifico
Depois de mais de duas semanas sem dar o ar da graça por aqui, estou de volta. Confesso que na primeira semana fiquei ausente por pura preguiça e por não ter algum assunto em pauta que despertasse meu interesse em escrever.
Na semana seguinte, saí de férias do trabalho e me permiti o desligamento de todas as responsabilidades. Queria aproveitar cada dia, cada hora, minuto e segundo. E consegui.
Hoje, retornei. Ao verificar meus e-mails, recebi uma mensagem do meu sogro (Sebastião) que acho interessante postá-la.
Ao que parece, esse texto é um artigo que foi publicado no jornal O Estado de S. Paulo. Não tem título. Nem data de publicação. Mas isso é o de menos.
Então, para marcar minha volta, coloco este texto leve, para simples reflexão. Espero que gostem.
Agora que acabou o carnaval, o ano vai realmente começar.
O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.
Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.
Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:
Nosso cérebro é extremamente otimizado.
Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.
Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.
Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e, portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.
É quando você se sente mais vivo.
Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas.
Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.
Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.
Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.
Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experiência).
Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa... São apagados de sua noção de passagem do tempo...
Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.
Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA
Não me entenda mal.
A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque)
Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.
Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.
Seja diferente.
Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos..... em outras palavras...... V-I-V-A. !!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.
E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos.
Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.
E S CR EVA em tAmaNhos diFeRenTes e em Co rES di f E rEn tEs !
CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVETE.....
V I V A !!!!!!!!
Educar para mudar
Como pode querer desenvolvimento e crescimento do Brasil se ainda não há sequer preocupação com a formação dos cidadãos?
Quem não pode estudar porque precisa contribuir com o orçamento da família, acaba não adquirindo o conhecimento necessário para, no futuro, ter uma melhor colocação no mercado de trabalho. Com isso, a renda continuará sendo baixa e os novos membros também ingressarão precocemente em atividades que lhe renderão pouco dinheiro e não permitirão que estudem.
Quem felizmente não se encaixa neste quadro, tem outra preocupação: a qualidade de ensino. A cada ano, as escolas estaduais formam alunos que, muitas vezes, não sabem sequer as tabuadas ou interpretar os textos. Muitos deles, ainda, lêem com dificuldade. Ao invés de buscarem mecanismos para melhor aprendizado, os governantes simplesmente colaboram para que o aluno “passe” de ano. Hoje, é muito difícil algum estudante repetir por nota. Quando a reprovação acontece é por ausência. Mas isso também já está em desuso. A justificativa que se dá é a falta de vagas nas escolas e verba para mantê-las. Afinal, quanto vale a educação? É possível calculá-la?
Para as pouquíssimas pessoas que fogem desses dois perfis, sim. A saída que elas encontram para proporcionar aos filhos educação com qualidade é matriculá-los em uma escola particular. O valor que pagam nas mensalidades muitas vezes ultrapassa o salário do chefe de família dos outros dois casos.
É um absurdo que pagar escola particular sendo que se paga tantos impostos!
Acredito que a base de tudo é a educação. É a partir dela que se adquire conhecimento para, no futuro, contribuir com o país por meio do trabalho. Porém, os governantes brasileiros parecem não ter essa visão. Falta emprego, sim. Mas antes disso, falta formação escolar. Há muitas vagas de trabalho que exigem escolaridade que grande parte da população não possui. Isso faz com que as pessoas trabalhem em vagas que exigem pouca escolaridade e têm baixa remuneração.
Com isso, ingressa-se em um círculo vicioso que é difícil de sair.
Reféns das Farc
Ultimamente as matérias relacionadas ao tema têm ganhado grande destaque na mídia. O acompanhamento diário do caso faz com que o Brasil e o mundo assistam às reportagens veiculadas como se fossem capítulos de uma novela colombiana. Há drama, romance, aventura. Todos os gêneros inclusos em uma só história. Ou, na história de cada pessoa que foi ou ainda é vítima das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
Mas, em meio às tramas paralelas, quem se tornou protagonista da novela foi Clara Rojas, ex-candidata a vice-presidência da Colômbia. Capturada em 2002, Clara teve um romance com um guerrilheiro da Farc que resultou em um filho, Emmanuel (2004). Após o nascimento, o menino foi separado da mãe. Com um braço quebrado e leishmaniose, Emmanuel foi parar em um abrigo, em 2005, e virou Juan David (nome do pai dele).
O tempo passou e, no final de 2007, as Farc começaram a anunciar que soltariam alguns reféns. Em meio a isso, descobriu-se que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia não estavam mais em posse do filho de Clara (como tinham anunciado anteriormente). Toda a mídia se voltou para o caso. Uma mistura de emoção e revolta tomou conta do mundo.
Na última quinta-feira (10), Clara foi libertada junto com Consuelo Gonzalez (ex-congressista), graças à ajuda de Hugo Chávez – por mais incrível que isso possa parecer.
Ao acompanhar e analisar muitas reportagens sobre o caso notei que a cobertura da mídia foi muito superficial e, até mesmo, sensacionalista. Muito se falou sobre a vida de Clara, Emmanuel e Cosuelo. Mexeu-se muito com os sentimentos dos leitores, telespectadores, internautas e ouvintes e pouco acrescentou de conhecimento a eles. Acredito que faltaram esclarecimentos sobre quem são as pessoas que integram as Farc, como que o movimento começou, quais são os ideais deles, quantas pessoas ainda são reféns, o que o governo pretende fazer para libertá-las, etc.
O pior de tudo isso foi assistir a uma reportagem no sábado (não me lembro qual jornal ou canal), na qual Chávez dizia que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia não erram terroristas – atitude deste que não é de se surpreender - e o governo da Colômbia afirmava que eram e que não retiraria essa classificação.
Não sei exatamente quais os requisitos para se tornar “terrorista”. Mas acredito que fazer pessoas reféns por anos contribua bastante para obter esse certificado.
Os curtas x as cultas
Há dias adio escrever sobre o roubo dos quadros do Masp. Acompanho diariamente as notícias que saem sobre o furto, encontro dos suspeitos, mudanças no sistema de segurança. Mas opto sempre por não abordar esse tema. Hoje, não posso mais me calar.
Foi na madrugada do dia 20 de dezembro que tudo começou. Bastaram um pé-de-cabra, um macaco e uma marreta. Em três minutos as telas "Retrato de Suzanne Bloch” (Picasso, 1904) e "O Lavrador de Café" (Portinari, 1939) desapareceram do Museu de Arte de São Paulo. Cerca de R$ 100 milhões sumiram em 180 segundos. Tempo record. Talvez até concorra a destaque no Guinness Book.
Depois de toda a vergonha gerada pelo fato, a polícia correu atrás dos suspeitos do roubo e os diretores do Masp, atrás de uma forma de limpar a imagem do museu. Pois bem. O museu ficou dias fechado. A polícia cumpriu o papel dela de encontrar os suspeitos e o presidente do Museu de Arte de São Paulo, Julio Neves, anunciou que o novo sistema de segurança seria tão ou até mais seguro do que o do Louvre.
Confesso que isso cheguei a acreditar que isso realmente seria feito. Uma vez que as tentativas de furto que o Masp já havia sofrido não foram suficientes para que o sistema de segurança fosse implantado, talvez o episódio envolvendo as obras de Picasso e Portinari serviria para que essa providência fosse tomada.
Engano meu. Parece que nesse país a arte, cultura e a segurança das obras do Masp não têm grande importância. Hoje li a reportagem “Masp reabre sem mudanças na segurança”, publicada pelo UOL. Pelo título da matéria, acredito que seja dispensada a explicação sobre do que se trata o texto.
Decepção. Acho que essa é a melhor palavra para expressar o que sinto com relação ao roubo das obras e as atitudes dos responsáveis pelo museu que demonstraram ter curtas atitudes para proteger obras tão cultas.
A guerra civil carioca
Em reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, hoje, com o título “Sob Cabral, nº de mortos pela polícia do Rio bate recorde”, a violência no estado é mais uma vez abordada. Porém, dessa vez quem mata não são os bandidos, são os policiais. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) revelam que, em 2007, 1.260 pessoas foram mortas. Esse número, já alto, ainda não corresponde à realidade. Na contagem foram excluídas as delegacias não-informatizadas que correspondem a 31,5% do total.
Mas afinal, o que se espera que o governador Sérgio Cabral Filho e seu Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, façam?
Quando há alto índice de criminalidade, a população suplica pela ação dos policiais. Quando eles agem, entram em confronto com bandidos que possuem armas que talvez nem o Exército brasileiro disponha. Nesta hora, têm que escolher entre sobreviver - para continuar o trabalho mal-remunerado que sustenta a família e traz um mínimo de segurança e paz aos cidadãos - e morrer. Óbvio que matar deveria ser a última opção, mas neste país onde as prisões dão curso de doutorado em bandidagem totalmente pago pelos brasileiros honestos, a concorrência para entrar nessa “faculdade” é grande. Não há mais vagas. As “salas de aula” estão superlotadas. Os que têm a “sorte” de entrar, quando saem realizam grandes trabalhos e, às vezes, voltam para aprender mais.
Com certeza Beltrame receberá muitas críticas negativas e positivas ao trabalho que realiza. Mas parece que a resposta já foi dada previamente: "‘A solução para o Rio não é boa. É um remédio amargo’, afirmou Beltrame após a megaoperação realizada no dia 27 de junho em que 19 pessoas foram mortas, símbolo da chamada ‘política de confronto’ feita pelo governo Cabral” (Folha de S. Paulo, Cotidiano, 9 de janeiro de 2008).
A lágrima que revela a alma
A cada segundo que se passa, grande parte dos membros que compõe a sociedade se afastam mais dos valores básicos. Amizades frágeis, contatos frios, sentimentos quase ausentes. Mas, ao contrário da sentença que sempre se costuma anunciar, o capitalismo não é o único culpado por isso.
O filme “Quando Nietzsche chorou” (2007), baseado no best-seller de mesmo título, mostra através do diálogo entre Friedrich Nietzsche (Armand Assante) e o médico Josef Breuer (Ben Cross) que o ser humano sempre esteve em conflito interno. Os agentes externos são apenas a gota que faz transbordar a água.
Por quê será que nós, seres humanos, ainda insistimos em viver como se apresentarmos diariamente uma peça teatral? Por quê fazemos tanta questão em criar uma personagem, vestir o figurino e ter o aplauso da platéia, se quando o espetáculo acaba ficamos sozinhos no camarim?
Talvez o motivo para isso seja a falta de conhecimento pessoal. Aprende-se sobre português, matemática e biologia, mas não sobre si. Esse deveria ser o primeiro conhecimento a ser obter. Mas isso seria impossível. Para tal, não há professores. São os atos e fatos da vida que permitem o aprendizado.
Na obra fictícia, Nietzsche e Breuer fazem um mergulho profundo na alma para descobrirem o motivo da aflição deles. Desta forma, libertam-se das angústias e desesperos. Assim, torna-se possível simplesmente ser.
Apenas quando se dividem os sentimentos é que eles são liberados. Não existe solidão compartilhada ou felicidade particular.